A roda girou e hoje estamos por cima

  • terça, 01 janeiro 2019 00:00

Nunca deixe de acreditar que a ‘roda gigante gira’. Um hora você está embaixo e em outro momento estará por cima. O futebol de Alagoas vive um momento superior ao futebol pernambucano.

Sempre fomos muito ligados a Pernambuco seja por situações históricas, políticas ou econômicas. Com times maiores, mais estruturados, com maior poderio econômico e com mais resultados, Pernambuco olhava para os clubes alagoanos como algo inferior. Sim, existia uma soberba e dentro de campo isso era reforçado pelos resultados sempre melhores para os times pernambucanos.

Ao longo de anos, não importava o adversário, poderia ser o poderoso Sport ou o humilde Estudantes de Timbaúba, quando um clube alagoano atravessa a fronteira, tomávamos a pancada.

Nos últimos anos, o declínio dos times pernambucanos foi paralelo ao crescimento dos alagoanos. Em 2016, o CRB fez uma das mais belas apresentações em solo pernambucano ao triturar o Náutico em plena Arena de Pernambuco por 3 a 1 e com uma grande quantidade de alagoanos.

Paralelamente, o CSA reconquistou espaço nacional, subiu seguidamente de divisão nos campeonatos nacionais e agora ocupa a posição de um dos quatro clubes do Nordeste na Série A. Lembrando que é um de Alagoas, um da Bahia e dois do Ceará. Pernambuco perdeu representatividade.

Hoje não possui clube na Série A, tem um na B – igual a Alagoas – tem dois na C e até teve um rebaixamento para D, assim como nós também tivemos.

Acabou o futebol de Pernambuco? Claro que não. O Sport, com todas as dificuldades, ainda é um dos maiores e mais importantes clubes do Nordeste. O Santa Cruz, com sua impressionante e apaixonante torcida, também é um gigante. O Náutico recupera-se de decisões equivocadas e é reconduzido a sua casa, o tradicional alçapão dos Aflitos, para voltar a se fortalecer. Pernambuco ainda é mais forte economicamente, com poder de investimento e ainda goza de mais prestígio no cenário nacional.

Mas a supremacia hoje diminuiu. Nos últimos anos, o futebol alagoano tira jogadores de Pernambuco. Também tem tirado técnicos e até mesmo profissionais ligados a outros setores estão em Pernambuco levando soluções. O consultor de marketing, Tomaz Ferrare tem cuidado diretamente do licenciamento de produtos e da marca própria do Náutico. Isso é know how alagoano em solo pernambucano.

Na contra-mão, Pernambuco tem buscado em jogadores considerados ‘refugos’ do futebol alagoano, a ‘solução’ para algumas de suas equipes.

O momento não diz – e, isto para mim, é claro – que Alagoas é maior que Pernambuco. Isto mostra que a soberba é o começo do declínio e que o futebol alagoano tenta mostrar qualidade e tenta se estruturar, ter bases sólidas para o seu crescimento.

Apesar de comemorar este momento fica um alerta para os alagoanos. O momento não pode servir para respondermos com soberba, afinal de contas, isto também seria um passo para nossa queda. O momento precisa ser aproveitado para um crescimento sólido, sustentável e com a certeza que a roda gigante quando gira lhe deixa em um momento em baixo e no momento seguinte em cima.

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