Os riscos que o CRB corre após Marcos Barbosa

 |  segunda, 04 janeiro 2016 00:00

 

 

Não tenho dados concretos para afirmar categoricamente que Marcos Barbosa é o maior presidente da história do CRB. Cada um, em sua época passou dificuldades e fez muito pelo clube. No entanto, não há dúvidas que Barbosa escreveu seu nome entre os mais destacados que já dirigiram o clube, seja pelos resultados em campo, seja pelas conquistas fora dele.

 

Tudo passa e um dia, Marcos Barbosa deixará o CRB. O presidente regatiano tem uma conduta personalista, ele decide, ele resolve, ele conquista, ele se empenha, ele vence, ele perde. A forma de administrar do atual mandatário já foi vista em outras personalidades e mesmo sem querer, esta maneira "afasta" outros nomes que poderiam auxiliar na administração - ou, aparecerem na administração.

 

Como tudo na vida, as ações de Marcos Barbosa possuem aspectos positivos e negativos. Desde o primeiro dia que Marcos Barbosa assumiu o CRB, desconfiei de sua dedicação ao clube. Imaginei mais um político de carreira em um clube alagoano, projetando-se com ações e atitudes populistas e com um "testa de ferro” para tocar o dia a dia. Em parte, estava errado.

 

Barbosa é de assumir responsabilidades, viver dentro do clube (até mesmo de maneira exagerada), estar a par de absolutamente tudo que acontece e de que cerceia a equipe.

 

No futebol, vacilou apenas no 1º ano quando o CRB lutou contra o rebaixamento no alagoano e precisou trazer um jogo contra o Ipanema do sertão para Maceió. Ali, conseguiu sua permanência. Também bobeou em 2012, ao não desfazer o grupo de atletas, atitude que foi decisiva no rebaixamento clube da Série B para a Série C. Tirando isso, em termos de resultados, foram mais acertos que erros: títulos estaduais, acessos no cenário nacional e um respeito reconquistado após o CRB amargar dez anos de humilhações.

 

Mas como já havia dito, tudo passa. É possível que no final deste ano, Barbosa deixe o comando do CRB. Ele terá dois caminhos a seguir: o primeiro é continuar “mandando”, utilizando um presidente figurativo; o segundo é de se desligar um pouco e deixar que outro nome possa substituí-lo.

 

Na segunda hipótese, reside o grande risco de o CRB entrar em parafuso. Com tudo que Barbosa construiu, o próximo presidente sofrerá comparações e terá a "obrigação" de sequenciar as realizações feitas na atual gestão. Esse é o grande problema de administrações personalistas, uma vez que não estruturam os clubes, apenas fazem-no ter estrutura enquanto estas estão no comando.

 

Qual outro presidente viabilizará a manutenção do CT ou um time com uma folha tão alta quanto o CRB teve no ano passado? Ou ainda a força de viabilizar situações que Barbosa consegue pela sua força política ou pelo seu empenho pessoal?

 

Arrisco-me – e é somente uma visão minha – dizer que, sem Barbosa, o CRB terá tantas dificuldades quanto seus principais adversários estaduais: CSA e ASA. O presidente do CRB banca, viabiliza, encontra alternativas, empenha sua palavra, dirige o CRB como nada visto anteriormente, mas estruturalmente falando, o CRB não cresceu, não se sustentou e não possui vida independente como muitos pensam.

 

 

É apenas uma observação, talvez até antecipada, mas prevejo imensas dificuldades na situação de o CRB ficar sem Barbosa, correndo risco de novamente entrar em parafuso, da mesma maneira como o atual presidente encontrou o clube há cinco anos.

Entre valorizar e utilizar, a diferença foi de quase R$ 10 milhões

 |  sexta, 01 janeiro 2016 00:00

O ano de 2015 já se foi. A Série B também. Dois jovens jogadores que atuaram na terceira mais importante competição do país foram valorizados e no final da temporada acabaram negociados.

 

Maxwell e Richarlison tiveram trajetórias parecidas em 2016. Jovens, Maxwell (CRB) tem 20 anos, já Richarlison (América-MG) é mais novo e tem 18 anos. Autor de cinco gols pelo Galo, Maxsuel foi negociado por R$ 200 mil. Richarlison fez nove gols da Segundona e foi negociado por R$ 10 milhões, saindo do Coelho mineiro e indo para o Fluminense.

 

Claro que existem algumas semelhanças e diferenças gritantes entre os dois. Eles foram boas revelações, fizeram gols e foram negociados. A partir deste ponto, surge um abismo gigantesco. É difícil avaliar se são jogadores semelhantes, se um é melhor que o outro. A realidade é que Richarlison joga em uma equipe de um centro mais forte, em uma equipe mais tradicional e com mais peso nacionalmente. Também pode-se afirmar que o mineiro conseguiu o acesso para a Série A, fato que tem um importante peso no currículo.

 

Mas essencialmente a diferença entre os dois ficou no conceito entre valorizar e utilizar o jogador. O América bancou a permanência do jogador na competição. Ele tornou-se titular e fez 21 jogos na titularidade dos 38 disputados pelo coelho. Maxwell foi utilizado e não valorizado.

 

Valorizar significa dar sequencia, botar para jogar e ao se perceber que o jogador tem qualidade ter a clara estratégia que no time, seria Maxsuel e mais dez. Entendo que apostar no garoto talvez fosse uma carga grande, respeito o fato que Mazola Júnior explicou a utilização do jogador e sabe como poucos “subir” jovens promessas para o time profissional, mas Richarlison também não conhecia a Série B, também precisou colocar jogador no banco e tudo mais.

 

A verdade é que a direção, grande parte da torcida e até muita gente da imprensa, pensa no resultado, em um time mais forte e, portanto, preferem jogadores mais “rodados”.

 

 

No entanto, os atacantes que passaram pelo CRB, me refiro a Ricardinho, Kanu e Isac nada deixaram para o CRB. Até mesmo Zé Carlos, que foi artilheiro da Série B, deixou o CRB sem que o clube tivesse direito a nada. Maxsuel não. Esse é do CRB. Esse poderia ter dado ainda mais, mas para isso precisaria ter sido valorizado. A diferença entre a utilização e a valorização revelou alguns milhões a mais para o América . Quem sabe se este ano, o CRB não opte por abraçar um jogador e fazer dele um cheque em branco ao final da temporada.

A voz de classe se calou

 |  sábado, 12 dezembro 2015 00:00

Waldemir Rodrigues, 65, o comentarista de classe, faleceu hoje pela manhã. Com comentários clássicos, duros, precisos, que manipulavam os números com uma facilidade monstruosa, que utilizava um humor, muitas vezes, ácido com a leveza de uma palavra doce, não será mais ouvida.

 

A morte precoce de Waldemir me tira a presença do profissional de comunicação mais completo que já convivi. Em um momento deste de comoção do mundo esportivo, da imprensa alagoana e da sociedade alagoana, não é um pouco egoísta dizer que " a morte me tira"? É sim, entendo que é egoísta da minha parte, mas minha relação  com Waldemir era muito mais que uma relação profissional. Considerava-o como um pai e tenho certeza que ele também me considerava um filho, pois não teve filhos homens. A fábrica produziu apenas mulheres.

 

Waldemir apostou em mim. Marginalizado no rádio, Waldemir me resgatou, me trouxe para o Timaço e com um dose grande de responsabilidade, cobrir o CRB e substituir Luciano Costa, setorista do clube e com uma imensa identificação com o torcedor do Galo.

 

Mas Waldemir já me havia dado outras oportunidades. Me colocou como fotográfo na campanha do então candidato a prefeito de Maceió, Alberto Sextafeira. Ele também me abrigou na editoria de esportes do Jornal Tribuna de Alagoas. Me deu espaço para publicar fotos que fazia de esporte olímpicos nas páginas de um jornal que ele assinava. Foi ele que por telefone me comunicou a morte do meu pai. Foi ele um do.s meus padrinhos da casamento. Lutou dentro da empresa para que pessoas como eu, com formação de radialismo e jornalismo, tivesse oportunidade em outros setores da OAM. Deu oportunidade e me incentivava a comentar futebol, a fazer comentários na resenha nas suas ausências, que se tornaram mais frequentes nos últimos meses. São tantas coisas que não terei como agradecer.

 

Waldemir era uma voz dura e firme quando "mexiam" comigo. Assim foi no episódio em que fui proibido de falar com os jogadores do CRB em 2014. Waldemir tinha uma voz doce e elogiosa, a cada final de trabalho, quando faziamos "tudo direitinho" e recebi elogios sobre os comentários que faiza  a cada jogo do CRB fora de Maceió e que não havia transmissão de TV. Waldemir tinha a voz áspera e destruidora quando cobrava um erro, uma irresponsabilidade, um atraso, como aconteceu comigo algumas vezes.

 

Trouxe individualidades na minha relação com ele e pode até parecer egoísta da minha parte, mas foi assim com cada um que ele coordenou, orientou, dirigiu e  ensinou. Era um homem prático, "sim é  sim" e, "não é não", até frio para alguns, mas aqueles que observaram o seu carinho com a familia, notadamente com esposa, filhas e netos, sabiam que era um homem doce, justo e acima de tudo sereno, firme, mas sereno.

 

Ficará seus ensinamentos, seu legado e tudo que foi ensinado, modificado e acrescido na minha vida e na de tantos outros que puderam desfrutar da sua companhia.

 

Fica em paz. Vai com Deus, meu chefe, fofo e lindo.

Cumprir tabela

 |  segunda, 28 setembro 2015 00:00

O Coruripe entrou em campo na 2ª fase da Série D sendo o pior entre os segundos colocados para enfrentar o melhor entre os primeiros colocados. Quando a bola parou de rolar estava desenhada a diferença: 3 a 0.

 

Uma goleada sofrida em casa deixa o Coruripe com a necessidade apenas de cumprir tabela contra o São Caetano na capital paulista. Claro que ao longo da semana será dito “futebol é uma caixinha de surpresa” ou “se eles vieram aqui e venceram, porque não poderemos ir lá e vencermos também?”. São apenas frases prontas que usadas em situações de adversidades.

 

Mas o que foi observado no Gérson Amaral é que a diferença entre um time e outro é gigantesca. O Coruripe pagou o preço de não ter conseguido alguns resultados em casa na fase de classificação que lhe colou no rumo de um time bem superior.

 

 

Agora é pensar em uma despedida honrosa, planejar 2016 e vir forte na Copa do Nordeste e principalmente no Alagoano para manter o desempenho dos dois últimos anos.

Homem simples, ele se foi

 |  quarta, 26 agosto 2015 00:00

 

 

O dia começou um pouco mais triste para todos nós que vivemos o futebol. Faleceu na noite de ontem, Nélson Peixoto Feijó, patriarca da família Feijó.

 

Nelson era o pai de João Feijó, dirigente do Corinthians Alagoano e de Gustavo Feijó, ex-presidente da FAF e atual vice-presidente da CBF. Nelsinho e Rosa também são seus filhos.

 

João Feijó resolveu homenagear seu pai dando a ele em vida, o nome do seu grande patrimônio construído com o futebol: o Estádio Nelson Peixoto Feijó.

 

O padrão social da família não mudou o jeito do Senhor Nelson. Homem simples, tímido, fala mansa e sem gostar de aparecer, ele era presença frequente no Estádio assistindo os jogos do Corinthians no “seu” estádio. Chinelinho nos pés, passos mais lentos e um sorriso no rosto eram suas marcas.

 

Seu Nelson deixará saudades aos que com ele conviveram. Mas ficará eternizado na memória de cada um de nós pela simplicidade, pela paciência e por ter emprestado seu nome para um dos mais importantes palcos no esporte alagoano.

 

 

Descanse em paz, Seu Nelson.

Considerações sobre a eleição do sindicato de arbitragem

 |  sexta, 26 junho 2015 00:00

Não sou especialista em arbitragem, mas como jornalista esportivo, convivo, observo, tomo conhecimento de situações de bastidores. Francisco Carlos do Nascimento é o novo presidente do Sindicato dos Árbitros pelos próximos três anos.

 

A eleição foi apertada com apenas dois votos de diferença entre a chapa vencedora e a chapa derrotada que foi encabeçada por Silvio Acioli. O resultado além de expor uma vantagem mínima, mostra que a arbitragem alagoana está dividida, fato que mesmo sem ser especialista em arbitragem, já havia sido detectado por qualquer um que milita no meio esportivo.

 

Existe uma resistência de um grupo de árbitros e assistentes ao comando da Comissão Estadual de Arbitragem (CEAF-AL), presidida por Hércules Martins. No meu modo de observar, existe um erro de avaliação, onde o assunto central da disputa pelo sindicato estava relacionado a quem seria do lado de Hércules e quem seria contra Hércules. O cerne da questão precisa ser a arbitragem e não o comando da CEAF ou aspectos politicos.

 

Os árbitros alagoanos, sejam os que venceram o pleito ou os que foram derrotados, precisam de pautas que fortaleçam a categoria e não de discussões dos que seriam apadrinhados ou não pela comissão de arbitragem, mesmo entendendo, que esta pauta, circula nos corredores da arbitragem desde que Hércules comanda a CEAF.

 

Se é verdade que Chicão assumirá uma categoria dividida, também é verdade que Charles Hebert, o antigo presidente, não conseguiu unir a categoria pois o assunto de grupos dentro do segmento já é um assunto antigo.

 

Francisco Carlos será presidente do sindicato e, portanto, caberá a ele, cobrar, defender e trabalhar para atender a todos, inclusive, os que não entenderam que seu nome seria o melhor para presidir o sindicato. Para o grupo derrotado, armar-se depois da batalha e continuar entrincheirado não parece ser a estratégia correta, até porque, ela foi derrotada na disputa democrática. Com a força de uma oposição que cresceu de forma legitima, será necessário cobrar do novo presidente ações que tragam o desenvolvimento da arbitragem.

 

Mostrar um desagrado com o comando da CEAF não pode, nem deve, prejudicar a luta pela arbitragem alagoana. Uma arbitragem unida, forte e com objetivos comuns lutaria com mais força por qualquer que fosse a reivindicação.  

 

Não me cabe defender o grupo de Chicão ou o grupo de Silvio Acioli, porque o grupo “bom” ou “ruim”, de “situação” ou de “oposição” é uma avaliação pessoal, uma preferência de cada um e que pode estar “certa” ou “errada”. Além disto interferir no assunto seria algo semelhante a aceitar que os árbitros debatessem ou interferissem no que faz a Associação dos Cronistas Desportivos, por exemplo.  Lembro que não existe “o dono da verdade”, pois o que pode ser bom para mim, pode não ser bom para outro e vice-versa.

 

Como membro da imprensa e cronista esportivo, Vou cobrar de Francisco Carlos que os árbitros estejam mais qualificados, que árbitros e assistentes estejam em condições físicas de atuarem, que exista uma igualdade para todos os membros, que os equipamentos que auxiliam a arbitragem, como as bandeiras eletrônicas , voltem a figurar nos campos alagoanos, que a arbitragem local possa ser fortalecida no cenário local e nacional, que reinvindicações do segmento possam ser atendidas no arbitral, que os árbitros sejam respeitados por dirigentes que vira e mexe fazem acusações públicas ou apenas de bastidores sobre coisas escabrosas, sujam o nome e a carreira de árbitros que levam anos para construir uma carreira e depois vem seus nomes jogados ao vento por situações que nunca foram comprovadas.

 

Por fim, quem já dirigiu, comandou, liderou ou presidiu algo ou uma categoria, sempre é e, será questionado. Charles sai, entra Francisco e as divergências continuarão porque elas estão enraizadas na forma de agir e na ideia das pessoas. E isso não será resolvido com votos, com um nome ou com outro que comande o processo. Isto somente será resolvido com a mudança de postura de todos, absolutamente, todos que fazem a arbitragem alagoana.

Proibição da Comando: apesar das pressões, Justiça e FAF seguem firmes

 |  domingo, 21 junho 2015 00:00

Já expressei em diversos posts minha opinião sobre o comportamento das torcidas organizadas. Isso, a opinião sobre as organizadas sempre é em relação ao comportamento.

 

Conheço integrantes da direção da comando alvirrubro, sei do envolvimento, da paixão pelo CRB, sei que segue em curso uma tentativa de mudar a imagem da torcida, sei que projetos sociais são desenvolvidos, mas infelizmente, as ações de alguns integrantes mancham a torcida e seus objetivos.

 

As pessoas que já viveram o terror – que eu também já vivi – de presenciar confusões, arrastões, brigas nos ônibus, agressões e ameaças, estão vibrando com a ausência da comando – e, também da Mancha Azul – dos nossos estádios.

 

Sob a justificativa de apoiar o CRB, o clamor, a pressão e até o apelo para que a comando volte a frequentar as arquibancadas não é válido. É preciso mudar a atitude, respeitar as famílias, deixar de usar drogas nas arquibancadas, utilizar o fator de estar em grupo para liberar atitudes bestiais como apedrejar ônibus, fazer arrastões, agredir pessoas que torcem por outras equipes, causar confusão com outras torcidas, depredar patrimônio público ou particular.

 

Enquanto não pararmos para discutir seriamente o assunto, enquanto os dirigentes não forem responsabilizados, inclusive financeiramente por danos provocados por membros da torcida, enquanto não tivermos a quebra do apoio e do financiamento da direção dos clubes as organizadas, enquanto a mentalidade de violência não mudar, enquanto não tivermos um cadastro sério e punições da justiça exemplares para os baderneiros, enquanto o quadro da torcida não for limpo com a retirada de alguns marginais, o futebol estará vencendo com a proibição das organizadas nos estádios.

 

Espero que a proibição seja mantida até que este cenário seja modificado e possamos pensar em um comportamento condizente com o amor pelo CRB. Alguns membros tem como mais importante a comando que o próprio clube e isso é uma distorção.

 

A Justiça e a Federação Alagoana de Futebol tem o apoio do torcedor comum e da sociedade que se sente mais à vontade nos estádios e mais seguro na cidade quando os vândalos não estão descontando suas frustrações ou suas explosões de agressividade contra qualquer um que seja visto como inimigo. Que assim siga até que tudo mude. A proibição segue como uma grande vitória de todos, menos daqueles que estão proibidos.

História repetida, erros repetidos. O resultado será o mesmo?

 |  terça, 09 junho 2015 00:00

É com tristeza que nesta 2ª feira revi um filme acontecido em 2012. Não estou triste pela saída do técnico Alexandre Barroso ou pela contratação do técnico Mazola Júnior, a tristeza vem pelo mecanismo com que as coisas acontecem. Pressões, interesses vindos de fora do clube e situações que ao invés de ajudar, prejudicam o CRB.

 

Voltei ao ano de 2012 principalmente após ouvir a entrevista – normalmente, virulenta – do dirigente Ednilton Lins. Na fala do dirigente do CRB, o ex-técnico Alexandre Barroso era “muito educado” e existem jogadores que estão a muito tempo no CRB e que se “acham donos do clube”.

 

Lins queria dizer que faltou comando ao técnico do CRB. Pressupondo que realmente foi isso que aconteceu, repete-se algo que ocorreu em 2012 – ano que o CRB foi rebaixado – e , que vitimou Roberto Fonseca.

 

Ao final da temporada, o presidente Marcos Barbosa me concedeu entrevista afirmando que o seu departamento de futebol, formado também por Alarcon Pacheco e pelo próprio Ednilon Lins, havia evitado passar a real situação do clube em virtude de Marcos Barbosa – na época – estar em campanha eleitoral. O presidente também se referiu na entrevista que situações como aquela, não iria mais acontecer no clube e que alguns jogadores, não jogariam mais no CRB.

 

Me causou surpresa ouvir de Ednilton Lins as duas afirmativas relativas ao ex-técnico Alexandre Barroso e ao grupo de jogadores. Se este foi realmente o motivo da “sacudida” dada nesta segunda-feira, que Barroso havia perdido o comando e que o time precisava de um profissional com perfil mais “duro”, está mais uma vez escancarada a falha do departamento de futebol.

 

E elenco vários os motivos para justificar esta falha. Primeiro deixar claro que as contratações desta temporada, as permanências dos jogadores de uma temporada para outra e até mesmo os reforços contratados para a Série B, são todos responsabilidade da direção e, principalmente do departamento de futebol. Primeiro bingo.

 

Segundo é inadmissível que um técnico seja contratado, passe quase 80 dias trabalhando e não se conheça detalhes do perfil do treinador. Se Barroso é mole, não tem pulso, não cobra com contundência, ele é assim desde a sua chegada. E com isso, o departamento de futebol, o clube e a presidência contrataram um profissional com um perfil que iria apresentar em algum momento, este tipo de problema. Digo isso porque hoje todo mundo que lhe dá com o futebol conhece as características de todo mundo e quando Barroso chegou, em nenhum momento, em nenhuma entrevista, isto foi citado. Bingo dois.

 

Terceiro – e mais preocupante – é que se tudo o que foi dito é verdade, como é que um treinador vai perdendo o grupo, deixando que um grupo de atletas “tome conta” e não respeite o comando e o departamento de futebol, principal responsável por gerenciar o dia a dia do grupo, não perceba ou não tome a atitude devida com passos bem definidos: identificar a perda do grupo, diagnosticar os causadores desta situação, prestigiar o técnico e punir exemplarmente aqueles que avacalharam o trabalho? Se isto não aconteceu, não houve identificação, me desculpem, mas os culpados são as pessoas do futebol – repito, baseio tudo que estou questionando, na fala do dirigente Ednilton Lins, em entrevista coletiva a imprensa esportiva na tarde de ontem.

 

Mas chego a entender com clareza que a atitude de mudar o técnico e jogar fora um projeto de uma competição de 38 jogos, após o sexto jogo, é a maneira mais simples de isentar-se de responsabilidades que claramente estão nas mãos dos que dirigem.

 

Barroso não é o melhor treinador do mundo. Cometeu erros e posso ter questionamentos sobre suas escolhas, convicções e maneira de trabalhar, mas ao longo destes 79 dias, observei neste profissional uma conduta séria, um respeito para com todos, digo imprensa, elenco, direção, instituição, torcedores. Mas Barroso desagradou setores externos, com interesses diversos e que entende contribuir com o clube, quando na verdade, enterra a instituição CRB com atitudes pequenas.

 

Lamentar que o clube alagoano na Série B possa retomar um caminho que em 2012 causou muitos estragos, inclusive com um dolorido rebaixamento. Torcer para que a continuidade do projeto possa ter um rumo diferente.

 

Ainda veremos a saída de jogadores serem relacionadas por nós da imprensa e principalmente pelos torcedores, como jogadores que serão carimbados como o grupo que causou a saída do técnico. Caso contrário, o CRB manterá em seu elenco, jogadores com este tipo de postura – dita pelo dirigente regatiano – e que mais a frente poderá escolher outro cristo para ser sacrificado.

 

 

Torcer para que um trecho do hino do CRB, que retrata a grandeza deste clube – Ao remo pois nosso norte traçado de glórias está – não seja trocado e mostre que o norte do clube ao invés de vitória está traçado para mais um afundamento do barco a partir da falta de atitude dos que deveriam comandá-lo.

Verdades reveladas ou mentiras ditas?

 |  domingo, 10 maio 2015 00:00

 

 

O meia Morais foi a mais nova vítima do fenômeno chamado redes sociais. Morais deixou o CRB em silêncio. Não se despediu. Não teve uma justificativa dada. Até mesmo a informação do desligamento do jogador aconteceu no final do expediente na noite de sexta-feira após ter saído a relação dos jogadores que enfrentariam o Bragantino.

 

Todos, CRB e jogador, optaram pela descrição. Mas coube a algum “amigo”, a revelação de uma conversa do meia Morais com outras pessoas, onde o jogador revela não ter proposta e justificando sua saída por estar “de saco cheio”, que os “treinos com a base eram fracos” e que não iria esperar “definhar no banco”. Ele também reclama de “passar mais cinco jogos no banco” e até mesmo do risco de “se machucar novamente”.

 

Não vou julgar a atitude do jogador, pois cada um sabe onde o sapato aperta e o que sente. Morais é um caso atípico de um grande jogador surgido e que se perdeu ao longo da carreira em função de uma sequência de contusões e de problemas que envolvem situações familiares e desmotivações. Quando estive em Salvador para transmitir Bahia x CRB pela Copa do Nordeste, os colegas de imprensa soteropolitana gozavam a presença do jogador no CRB e previam prazo para que o jogador alegasse problemas pessoais para deixar o CRB.

 

Quando tive a informação do seu desligamento,  torci muito para que o motivo fosse qualquer outro que não fosse “problemas pessoais”.  Morais disse via WhatsApp verdades que ele não revelaria em condições normais ou mentiras para justificar mais um fracasso em deixar uma equipe?

 

Esta pergunta só o próprio Morais poderá dizer. Durante o período que convivi com o jogador no dia-a-dia do CRB sempre mostrou-se educado, direto e sincero. Era uma aposta da direção para ser referência do time. Mas também é preciso dizer – e-, eu particularmente disse, que Morais era uma aposta da direção em recupera-lo, que nas últimas equipes ele não foi bem e era uma contratação de risco. A direção apostou, pagou para ver e viu o resultado.

 

 O aspecto que preocupa mais do que as declarações de Morais são declarações do seu irmão. Nelas estão contidas falas com insinuações perigosas e que envolvem o presidente Marcos Barbosa e o técnico Alexandre Barroso. Em relação ao mandatário regatiano é dito que o presidente teria solicitado as escalações de Morais e Zé Carlos ao treinador. Já o técnico é acusado de bancar o atacante João Henrique e jogadores que ele havia indicado.

 

Não há – nem vejo – necessidade de estabelecer-se uma crise ou uma dificuldade de relação entre jogadores, direção e o técnico Barroso. O técnico do CRB é duro nas suas cobranças, tem um nível de exigência forte com seus comandados, mas é muito transparente com todos eles, segundo afirmações de alguns jogadores e do próprio técnico.

 

 

Portanto, o CRB vive um momento de ruído completamente contornável em virtude de ser uma situação isolada. Será bastante salutar que assim como fez o técnico Alexandre Barroso, o presidente Marcos Barbosa possa encerrar qualquer possibilidade do assunto ganhar corpo e tocar o barco para frente, pois o norte do CRB está bem distante da insatisfação do meia que já pulou do barco.