A reflexão não é sobre o que aconteceu e sim sobre o prejuízo dos clubes

 |  sábado, 28 janeiro 2017 00:00

Não é resultado, é trabalho

 |  quinta, 05 janeiro 2017 00:00

Li muitas criticas em grupos de redes sociais sobre o Galinho que está jogando a Copa São Paulo de Juniores. As críticas estão diretamente ligadas a goleada sofrida para o Primavera - desconhecido? pelo menos para alguns - por 4 a 0, em jogo válido pela 2ª rodada do grupo A15.

Não vou dizer aqui que perder é bom. Nunca é bom perder. No entanto, divisões de base para um time de porte médio como o CRB - antes que me xinguem, é assim que somos vistos lá fora - o importante é o trabalho que vem sendo realizado.

Rigorosamente, o CRB tem um ano de trabalho com a ferramenta Centro de Treinamento. Frutos ainda irão surgir deste trabalho. Mas Maxwell e Luidy não são frutos do CT? Acho que não. O CRB na verdade lapidou os dois mas eles não surgiram desde de que começaram a jogar.

Na visão do futebol  como gestão ou negócio, as divisões de base estão voltadas para revelar, formar jogadores para negociação ou para as equipes profissional. Não tenho dúvidas que em um perído de médio a longo prazo, o Regatas deverá se tornar um clube formador.

Entendo que mais que avaliar o resultado na Copa São Paulo, o CRB precisará avaliar quantos jogadores do grupo que foi a competição em solo paulista, poderá vestir a camisa do clube nesta temporada, começar a transição de sair da base e ir para o profissional.

O trabalho na base precisa mudar conceitos e ser voltado para municiar o time profissional, colocando o nome do clube como formador de valores para clubes e centro maiores. Neste caminho, qualquer um, não somente o CRB, estará se fortalecendo no conceito de clube como um todo.

O que fizeram com o CRB?

 |  terça, 11 outubro 2016 00:00

As declarações corajosas do técnico Mazola Júnior trouxeram um momento já vivido em anos anteriores pelo CRB e as lembranças não são boas. A falta de comprometimento de alguns jogadores do elenco destroçou toda uma campanha brilhante que o Regatas traçou até o final do turno do Campeonato Brasileiro.

 

Sem ninguém confirmar oficialmente, o 'racha' no grupo foi um dos grandes responsáveis pela derrocada da equipe no returno da Série B.

 

Era o ano de 2012. Acompanhava o CRB por todo o Brasil então vestindo a camisa do Timaço da Gazeta. Na cobertura diária ainda na combalida, mas aconchegante Pajuçara, conversas de bastidores - e , nunca esperem que este tipo de assunto seja dito abertamente em público - davam conta que um grupo de jogadores tramava contra o técnico Roberto Fonseca.

 

A queda do treinador foi traçada no departamento médico do clube antecedendo a partida histórica contra o Joinville. O CRB fez um primeiro tempo pavoroso, irreconhecível, suspeito. No retorno para o segundo tempo, entrou um doido em campo. Ele se chamava Aloísio Chulapa. Mesmo com 3 a 0 contra, ele incendiou o jogo, puxou a torcida para o lado e os 'golpistas' ficaram com vergonha. O ambiente mudou, o CRB virou o jogo para um incrivel  4 a 3. Estava abortada a queda do treinador.

 

Não demorou muito e uma nova 'queda" foi preparada. Desta vez longe, distante do torcedor. Eu estava lá. Brinco de Ouro da Princesa e o CRB tomava 4 a 1 de um decadente Guarani. Foi um passeio. Foi quatro e poderia ter sido mais. Ao final do jogo, Roberto Fonseca, então técnico do CRB, subiu dos vestiários e disse que não tinha mais o que tirar daquele grupo. Eles haviam vencido. O técnico caiu e o resultado disto vocês já sabem. O CRB foi rebaixado para a Série C.

 

No final do ano, última entrevista de 2012, foi feita com o presidente Marcos Barbosa, após uma reunião do conselho arbitral na FAF. Barbosa admitiu em entrevista -  pela 1ª vez -  que problemas tinham acontecido. Na fala do presidente duas coisas chamaram a atenção. Primeiro que a realidade que se passava no clube tinha sido 'escondida' do mesmo em função do seu envolvimento com um processo politico. Segundo, que na boca do próprio presidente, alguns jogadores que teriam participado dos incidentes nunca mais jogariam com a camisa do CRB.

 

Pensei que aquele momento vivido em 2012 nunca mais se repetiria, pois dirigentes passam, técnicos passam, jogadores passam, mas o clube e paixão do torcedor não passam. Mas novamente problemas no grupo atrapalham uma caminhada do clube. Os novos capitulos virão em outro post.

Motivos

 |  sábado, 17 setembro 2016 00:00

Já estávamos acostumados com a presença do CRB no G4, zona de classificação para a Série A do Campeonato Brasileiro.  Após treze rodadas seguidas nesta posição, a ressaca deste sábado será mais dura. Antes de qualquer avaliação precoce, é preciso deixar claro que o mundo não acabou, que o Galo não ficaria eternamente entre os melhores e que a equipe deixou temporariamente o grupo dos melhores e, claro que poderá voltar em breve.

 

Já li, ouvi, debati com amigos e torcedores, os motivos pelos quais o CRB está fora do G4. Cada leitor, cada ouvinte, cada torcedor tem os seus. Eu também tenho os meus. E aqui aproveito o espaço para tentar mostrar motivos que atendem os otimistas e os pessimistas, atendem os eufóricos e os desiludidos, atendem os confiantes e os desconfiados.

 

Acompanhando e analisando a campanha do alvirubro alagoano vejo uma campanha sólida, com um time consciente do que deseja e com um técnico tirando o máximo dos seus comandados. Estes aspectos fortalecem o princípio de voltar, ou na próxima rodada ou ainda num curto espaço, ou até mesmo, na reta final da competição, denominada pelo experiente técnico Mazola Júnior como um novo campeonato nas dez últimas rodadas e que exatamente neste momento se decide a competição, portanto, o CRB está rigorosamente dentro do páreo .

 

Mas também é preciso avaliar com o outro prisma. Os números não mentem: o Galo caiu de rendimento. Ele caiu de rendimento por que? Uma das explicações seria que o grupo chegou ao seu limite técnico e o que podem render não é suficiente para manter o desempenho que entusiasmou tanta gente. A ausência de uma condição para reforçar o elenco também é um motivo. O CRB chegou a anunciar dois jogadores como contratações e ao final do prazo não veio ninguém para trazer algo de diferente para o grupo. Bicho, prêmio por acesso, tudo isso, os outros também o farão, muitos com mais força que o o Galo. Só que os outros além de bicho por jogo, prêmio por objetivo, também reforçaram seus elencos.

 

A partida contra o Bahia poderá ser um divisor de águas no sonho pelo acesso. Se o CRB sentiu a pressão de defender sua condição de G4, imagine agora, quando ele terá que superar adversários nesta disputa. Também é grave que pelo menos dez equipes estão na briga por duas vagas , visto que Vasco e Atlético(GO) parecem, no momento, disputarem um campeonato à parte.

 

 

Não sou pessimista, nem profeta do apocalipse, sempre me considerei mais realista e sempre pensei que seria muito difícil o acesso, mesmo quando CRB vivia seu melhor momento. A clara impressão passada é que o CRB chegou ao limite, que não terá força nesta reta final. Espero estar enganado, mas com os quatro empates seguidos fora de casa, as duas derrotas seguidas em casa e a assustadora queda no percentual de aproveitamento, me deixam a nítida impressão que o CRB estacionou. Como disse, meu amigo e professor, Marcos Francisco Santos, o “CRB vai precisar de muita força para se recuperar na competição”.

Aproveitamento do CRB continua preocupando

 |  segunda, 05 setembro 2016 00:00

55,1%. Este é o aproveitamento do CRB após 23 rodada disputadas na Série B do Campeonato Brasileiro. Em 4º lugar na Série B, o CRB está no limite do corte de classificação para a Série A do Campeonato Brasileiro após onze rodadas seguidas na zona de classificação.

 

A diminuição do percentual de aproveitamento é um fator preocupante. Em termos de aproveitamento, o CRB viveu seus melhores momentos entre  a 15ª e a 17ª rodada, com um percentual superior a 60%. Na 15ª rodada, 62,2%, na 16ª, 64,6% e na 17ª 62,7%. Estes percentuais asseguravam o CRB dentro da margem para o acesso. Mas a partir das 18ª rodada, os índices estão diminuindo, chegando próximo dos piores aproveitamentos na Série B e colocando em risco o acesso.

 

Projetando este índice para o final da Segundona, o CRB chegaria com 62 pontos, momentaneamente, seria suficiente para o acesso, mas nos critérios de desempate. Claro que esta avaliação é um corte do momento, mas preocupa. Se desejar seguir na briga por acesso, o Galo precisa aumentar o percentual para ter mais tranquilidade na briga pelo G4.

 

 

Empatar fora sempre foi considerado um resultado positivo, mas quando o CRB tinha outra perspectiva na competição. A partir do momento que a perspectiva passa por acesso, vencer jogos fora de casa, como o último disputado contra o Criciúma, faz diferença em busca de garantir o acesso.

Porque o 'nosso' é valorizado lá e não é valorizado aqui?

 |  sexta, 08 julho 2016 00:00

Natazílio Freitas, ou simplesmente, Freitas completa hoje 60 anos. Um verdadeiro ídolo em Arapiraca, o aniversário de sexagenário treinador passaria despercebido em Alagoas se não fossem alguns membros da imprensa a divulgar no facebook ou nos programas de rádio.

 

Mas a notoriedade dada ao aniversariante veio de fora. O Campinense , clube onde Freitas ganhou dois títulos, usou suas redes sociais para propagar a data especial. A homenagem simples e a lembrança comovem, mas traz um questionamento: porque os "nossos produtos" são valorizados lá fora e aqui não existe a valorização.

 

Não vi clubes como o ASA, onde Freitas mais brilhou, o CSA, onde ele passou em mais de uma oportunidade ou o CSE, sequer citarem esta data.

 

Uma pena, mas continuamos deixando de reconhecer nossos mais importantes nomes.

Seremos contra a decisão tomada?

 |  terça, 14 junho 2016 00:00

A final do Alagoano trouxe um envolvimento de vários atores da sociedade desacostumados as cenas de selvageria provocados por membros de torcidas organizadas de CSA e CRB. As imagens chocaram mas para o cidadão comum que vive em bairro periféricos de Maceió está acostumado a ver cenas de selvageria a cada final de semana com jogos de futebol, mesmo quando não envolvem CSA e CRB em confronto direto.

 

Pouco  mais de um mês após os incidentes, o Tribunal de Justiça de Alagoas (TJD-AL) em sua primeira comissão fez um primeiro julgamento e puniu os dois clubes com perda de mando de campo. O CSA, como mandante da partida, perdeu cinco mandos e o CRB, perdeu quatro. A decisão cabe recurso e ainda deverá ser julgada pelo pleno do TJD.

 

Quando uma decisão atinge o clube, haverá por parte de imprensa esportiva, uma tendência a aliviar a punição sob justificativas que “não podemos punir o clube”, “fechar os portões pune os torcedores de bem”, “como os clubes vão sobreviver sem arrecadar”. Todos estes e vários outros argumentos serão utilizados e o que aconteceu passará como algo normal.

 

 

Não existem questionamentos aos dirigentes dos dois clubes que incentivam e apoiam as organizadas. Precisamos entender que apoiar a decisão proferida em 1ª instância, não é ir contra os clubes e sim, dar sustentação  aqueles que buscam que cenas lamentáveis não se repitam. Como não poderia ser diferente, os dois clubes irão recorrer. Espero que CSA e CRB montem teses, articulem-se e definam a situação em solo alagoano, pois se levarmos o caso para o STJD, a ‘emenda poderá ser muito pior que o soneto’.

Um mau exemplo dado e uma teia de relacionamentos comprometidos

 |  terça, 15 março 2016 00:00

 

A partida entre Santa Rita e ASA pela 9ª rodada do Campeonato Alagoano poderia - ou deveria - ser apenas mais um jogo pela competição estadual. Mas um fato denunciado pelo lateral Chiquinho (ASA) trouxe á tona um fato desabonador na conduta de um personagem que deveria primar por outro comportamento.

 

O lateral alvinegro denunciou que  Gustavo Feijó, vice-presidente da Região Nordeste da Confederação Brasileira de Futebol - passou o jogo inteiro pressionando e xingando, inclusive com palavras de baixo calão, o assistente da partida, Wladson Michelângelo, integrante do quadro da FAF.

 

Feijó admitiu a pressão, mas justificou sua atitude foi feita como prefeito da cidade e que já havia sido prejudicado em outros jogos do Santa Rita e não admitiria ser novamente prejudicado.

 

A atitude de Feijó é inaceitável e absolutamente provinciana. Gustavo Feijó é um dirigente de porte e caráter nacional e não se consegue desvincular seu nome e suas funções.

 

O fato é mais grave justamente por Gustavo Feijó ter o nome que tem e possuir uma teia de poder e influência dentro da FAF. Feijó é pai de Felipe, atual presidente da FAF.  Como vice presidente da CBF, Feijó intimida os árbitros , que por sinal não relataram o ocorrido na súmula. A própria FAF não tomará providências por motivos óbvios.

 

Ainda resta o Tribunal de Justiça Desportiva. Qualquer procurador ou integrante do egrégio órgão poderá com o áudio do jogador Chiquinho e o do próprio Feijó poderá  promover a denúncia. Duvido que isso possa acontecer pela teia de poder e envolvimento. Mas seria um ótimo exemplo a ser dado para todo o país, partindo do futebol alagoano.

 

A decisão de um que põe em risco todos

 |  segunda, 01 fevereiro 2016 00:00

Após ter sido eliminado do Campeonato Alagoano na quinta-feira que antecedeu o início do Campeonato alagoano em um ato do presidente Felipe Feijó, eis que Rogério Melo Teixeira, presidente do Tribunal de Justiça Desportiva de Alagoas(TJD-AL) reverteu a decisão e recolocou o Murici na competição ao acatar o pedido liminar no time da zona da mata. Passadas três rodadas da competição está marcado o julgamento deste processo.

É triste ver que a decisão de um poderá causar um caos para todos. O direito é contraditório e a todos é dado o direito de defesa, amplo e irrestrito. Mas especificamente neste caso, não foi apenas o "regulamento do alagoano" que foi rasgado, o rito processual também parece ter sido atropelado deixando no ar uma decisão meramente política e não técnica, como deveria ser.

O Murici sequer havia dado entrada na sua petição e nos bastidores do futebol alagoano já se falava em um posicionamento favorável ao Murici. O atropelo continuou e no período da tarde somente por volta das 16h, o Murici havia concluído o rito processual protocolando na Secretaria do TJD toda a sua documentação com os argumentos que a defesa entendia como satisfatório.

Pois bem, em um tempo recorde, o presidente do TJD recebeu o pedido, avaliou, argumentou e deu seu despacho favorável. A decisão de um homem - preciso dizer - que com - respaldo e autoridade para tomá-la, põe em cheque todo um campeonato. Não sei se o presidente do TJD levou em consideração que caso a decisão venha a ser revogada mais à frente quantos clubes poderão ser prejudicados. O TJD também deverá esclarecer se em caso de eliminação clubes que perderam pontos para o Murici seriam prejudicados, se todos os jogos envolvendo o time alviverde seriam anulados ou até mesmo que algum clube seria beneficiado por um saldo de gols construído com uma goleada, enquanto outros não teriam a chance de construir o saldo e portanto, seriam frontalmente prejudicados.

Até mesmo no caso da permanência do Murici na competição quantos times que perderem pontos, classificação para fases distintas do Alagoano ou até mesmo perder classificações para competições nacionais ou forem rebaixados não questionarão a decisão. A insegurança jurídica, o caos dentro da competição já foi criado.

Há alguns anos, o TJD então presidido por Fernando Maciel tomou uma decisão juridicamente esdruxula, a querela seguiu para o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) reavaliou e criticou os absurdos jurídicos cometidos em Alagoas desqualificando a decisão da corte alagoana.

É muito provável que episódio possa voltar a ser verificado, caso o processo "suba" para a instância máxima do esporte brasileiro. Não sou jurista, mas a simples leitura de um rabula, como me considero, me leva a interpretar a clara e, por sinal, acertada decisão tomada pela presidência da FAF.

 Mas me lembro que a beleza do direito reside em apresentar diferentes interpretações a fatos que aos olhos dos leigos parecem cristalinos. Triste é pensar que também por pressões econômicas, políticas ou de interesses diversos, o mesmo direito encontra brechas absurdas para assuntos tão claros. Lamentável, mas começamos o Alagoano rasgando o regulamento e desfazendo o senso comum.