Motivos

 |  sábado, 17 setembro 2016 00:00

Já estávamos acostumados com a presença do CRB no G4, zona de classificação para a Série A do Campeonato Brasileiro.  Após treze rodadas seguidas nesta posição, a ressaca deste sábado será mais dura. Antes de qualquer avaliação precoce, é preciso deixar claro que o mundo não acabou, que o Galo não ficaria eternamente entre os melhores e que a equipe deixou temporariamente o grupo dos melhores e, claro que poderá voltar em breve.

 

Já li, ouvi, debati com amigos e torcedores, os motivos pelos quais o CRB está fora do G4. Cada leitor, cada ouvinte, cada torcedor tem os seus. Eu também tenho os meus. E aqui aproveito o espaço para tentar mostrar motivos que atendem os otimistas e os pessimistas, atendem os eufóricos e os desiludidos, atendem os confiantes e os desconfiados.

 

Acompanhando e analisando a campanha do alvirubro alagoano vejo uma campanha sólida, com um time consciente do que deseja e com um técnico tirando o máximo dos seus comandados. Estes aspectos fortalecem o princípio de voltar, ou na próxima rodada ou ainda num curto espaço, ou até mesmo, na reta final da competição, denominada pelo experiente técnico Mazola Júnior como um novo campeonato nas dez últimas rodadas e que exatamente neste momento se decide a competição, portanto, o CRB está rigorosamente dentro do páreo .

 

Mas também é preciso avaliar com o outro prisma. Os números não mentem: o Galo caiu de rendimento. Ele caiu de rendimento por que? Uma das explicações seria que o grupo chegou ao seu limite técnico e o que podem render não é suficiente para manter o desempenho que entusiasmou tanta gente. A ausência de uma condição para reforçar o elenco também é um motivo. O CRB chegou a anunciar dois jogadores como contratações e ao final do prazo não veio ninguém para trazer algo de diferente para o grupo. Bicho, prêmio por acesso, tudo isso, os outros também o farão, muitos com mais força que o o Galo. Só que os outros além de bicho por jogo, prêmio por objetivo, também reforçaram seus elencos.

 

A partida contra o Bahia poderá ser um divisor de águas no sonho pelo acesso. Se o CRB sentiu a pressão de defender sua condição de G4, imagine agora, quando ele terá que superar adversários nesta disputa. Também é grave que pelo menos dez equipes estão na briga por duas vagas , visto que Vasco e Atlético(GO) parecem, no momento, disputarem um campeonato à parte.

 

 

Não sou pessimista, nem profeta do apocalipse, sempre me considerei mais realista e sempre pensei que seria muito difícil o acesso, mesmo quando CRB vivia seu melhor momento. A clara impressão passada é que o CRB chegou ao limite, que não terá força nesta reta final. Espero estar enganado, mas com os quatro empates seguidos fora de casa, as duas derrotas seguidas em casa e a assustadora queda no percentual de aproveitamento, me deixam a nítida impressão que o CRB estacionou. Como disse, meu amigo e professor, Marcos Francisco Santos, o “CRB vai precisar de muita força para se recuperar na competição”.

Aproveitamento do CRB continua preocupando

 |  segunda, 05 setembro 2016 00:00

55,1%. Este é o aproveitamento do CRB após 23 rodada disputadas na Série B do Campeonato Brasileiro. Em 4º lugar na Série B, o CRB está no limite do corte de classificação para a Série A do Campeonato Brasileiro após onze rodadas seguidas na zona de classificação.

 

A diminuição do percentual de aproveitamento é um fator preocupante. Em termos de aproveitamento, o CRB viveu seus melhores momentos entre  a 15ª e a 17ª rodada, com um percentual superior a 60%. Na 15ª rodada, 62,2%, na 16ª, 64,6% e na 17ª 62,7%. Estes percentuais asseguravam o CRB dentro da margem para o acesso. Mas a partir das 18ª rodada, os índices estão diminuindo, chegando próximo dos piores aproveitamentos na Série B e colocando em risco o acesso.

 

Projetando este índice para o final da Segundona, o CRB chegaria com 62 pontos, momentaneamente, seria suficiente para o acesso, mas nos critérios de desempate. Claro que esta avaliação é um corte do momento, mas preocupa. Se desejar seguir na briga por acesso, o Galo precisa aumentar o percentual para ter mais tranquilidade na briga pelo G4.

 

 

Empatar fora sempre foi considerado um resultado positivo, mas quando o CRB tinha outra perspectiva na competição. A partir do momento que a perspectiva passa por acesso, vencer jogos fora de casa, como o último disputado contra o Criciúma, faz diferença em busca de garantir o acesso.

Porque o 'nosso' é valorizado lá e não é valorizado aqui?

 |  sexta, 08 julho 2016 00:00

Natazílio Freitas, ou simplesmente, Freitas completa hoje 60 anos. Um verdadeiro ídolo em Arapiraca, o aniversário de sexagenário treinador passaria despercebido em Alagoas se não fossem alguns membros da imprensa a divulgar no facebook ou nos programas de rádio.

 

Mas a notoriedade dada ao aniversariante veio de fora. O Campinense , clube onde Freitas ganhou dois títulos, usou suas redes sociais para propagar a data especial. A homenagem simples e a lembrança comovem, mas traz um questionamento: porque os "nossos produtos" são valorizados lá fora e aqui não existe a valorização.

 

Não vi clubes como o ASA, onde Freitas mais brilhou, o CSA, onde ele passou em mais de uma oportunidade ou o CSE, sequer citarem esta data.

 

Uma pena, mas continuamos deixando de reconhecer nossos mais importantes nomes.

Seremos contra a decisão tomada?

 |  terça, 14 junho 2016 00:00

A final do Alagoano trouxe um envolvimento de vários atores da sociedade desacostumados as cenas de selvageria provocados por membros de torcidas organizadas de CSA e CRB. As imagens chocaram mas para o cidadão comum que vive em bairro periféricos de Maceió está acostumado a ver cenas de selvageria a cada final de semana com jogos de futebol, mesmo quando não envolvem CSA e CRB em confronto direto.

 

Pouco  mais de um mês após os incidentes, o Tribunal de Justiça de Alagoas (TJD-AL) em sua primeira comissão fez um primeiro julgamento e puniu os dois clubes com perda de mando de campo. O CSA, como mandante da partida, perdeu cinco mandos e o CRB, perdeu quatro. A decisão cabe recurso e ainda deverá ser julgada pelo pleno do TJD.

 

Quando uma decisão atinge o clube, haverá por parte de imprensa esportiva, uma tendência a aliviar a punição sob justificativas que “não podemos punir o clube”, “fechar os portões pune os torcedores de bem”, “como os clubes vão sobreviver sem arrecadar”. Todos estes e vários outros argumentos serão utilizados e o que aconteceu passará como algo normal.

 

 

Não existem questionamentos aos dirigentes dos dois clubes que incentivam e apoiam as organizadas. Precisamos entender que apoiar a decisão proferida em 1ª instância, não é ir contra os clubes e sim, dar sustentação  aqueles que buscam que cenas lamentáveis não se repitam. Como não poderia ser diferente, os dois clubes irão recorrer. Espero que CSA e CRB montem teses, articulem-se e definam a situação em solo alagoano, pois se levarmos o caso para o STJD, a ‘emenda poderá ser muito pior que o soneto’.

Um mau exemplo dado e uma teia de relacionamentos comprometidos

 |  terça, 15 março 2016 00:00

 

A partida entre Santa Rita e ASA pela 9ª rodada do Campeonato Alagoano poderia - ou deveria - ser apenas mais um jogo pela competição estadual. Mas um fato denunciado pelo lateral Chiquinho (ASA) trouxe á tona um fato desabonador na conduta de um personagem que deveria primar por outro comportamento.

 

O lateral alvinegro denunciou que  Gustavo Feijó, vice-presidente da Região Nordeste da Confederação Brasileira de Futebol - passou o jogo inteiro pressionando e xingando, inclusive com palavras de baixo calão, o assistente da partida, Wladson Michelângelo, integrante do quadro da FAF.

 

Feijó admitiu a pressão, mas justificou sua atitude foi feita como prefeito da cidade e que já havia sido prejudicado em outros jogos do Santa Rita e não admitiria ser novamente prejudicado.

 

A atitude de Feijó é inaceitável e absolutamente provinciana. Gustavo Feijó é um dirigente de porte e caráter nacional e não se consegue desvincular seu nome e suas funções.

 

O fato é mais grave justamente por Gustavo Feijó ter o nome que tem e possuir uma teia de poder e influência dentro da FAF. Feijó é pai de Felipe, atual presidente da FAF.  Como vice presidente da CBF, Feijó intimida os árbitros , que por sinal não relataram o ocorrido na súmula. A própria FAF não tomará providências por motivos óbvios.

 

Ainda resta o Tribunal de Justiça Desportiva. Qualquer procurador ou integrante do egrégio órgão poderá com o áudio do jogador Chiquinho e o do próprio Feijó poderá  promover a denúncia. Duvido que isso possa acontecer pela teia de poder e envolvimento. Mas seria um ótimo exemplo a ser dado para todo o país, partindo do futebol alagoano.

 

A decisão de um que põe em risco todos

 |  segunda, 01 fevereiro 2016 00:00

Após ter sido eliminado do Campeonato Alagoano na quinta-feira que antecedeu o início do Campeonato alagoano em um ato do presidente Felipe Feijó, eis que Rogério Melo Teixeira, presidente do Tribunal de Justiça Desportiva de Alagoas(TJD-AL) reverteu a decisão e recolocou o Murici na competição ao acatar o pedido liminar no time da zona da mata. Passadas três rodadas da competição está marcado o julgamento deste processo.

É triste ver que a decisão de um poderá causar um caos para todos. O direito é contraditório e a todos é dado o direito de defesa, amplo e irrestrito. Mas especificamente neste caso, não foi apenas o "regulamento do alagoano" que foi rasgado, o rito processual também parece ter sido atropelado deixando no ar uma decisão meramente política e não técnica, como deveria ser.

O Murici sequer havia dado entrada na sua petição e nos bastidores do futebol alagoano já se falava em um posicionamento favorável ao Murici. O atropelo continuou e no período da tarde somente por volta das 16h, o Murici havia concluído o rito processual protocolando na Secretaria do TJD toda a sua documentação com os argumentos que a defesa entendia como satisfatório.

Pois bem, em um tempo recorde, o presidente do TJD recebeu o pedido, avaliou, argumentou e deu seu despacho favorável. A decisão de um homem - preciso dizer - que com - respaldo e autoridade para tomá-la, põe em cheque todo um campeonato. Não sei se o presidente do TJD levou em consideração que caso a decisão venha a ser revogada mais à frente quantos clubes poderão ser prejudicados. O TJD também deverá esclarecer se em caso de eliminação clubes que perderam pontos para o Murici seriam prejudicados, se todos os jogos envolvendo o time alviverde seriam anulados ou até mesmo que algum clube seria beneficiado por um saldo de gols construído com uma goleada, enquanto outros não teriam a chance de construir o saldo e portanto, seriam frontalmente prejudicados.

Até mesmo no caso da permanência do Murici na competição quantos times que perderem pontos, classificação para fases distintas do Alagoano ou até mesmo perder classificações para competições nacionais ou forem rebaixados não questionarão a decisão. A insegurança jurídica, o caos dentro da competição já foi criado.

Há alguns anos, o TJD então presidido por Fernando Maciel tomou uma decisão juridicamente esdruxula, a querela seguiu para o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) reavaliou e criticou os absurdos jurídicos cometidos em Alagoas desqualificando a decisão da corte alagoana.

É muito provável que episódio possa voltar a ser verificado, caso o processo "suba" para a instância máxima do esporte brasileiro. Não sou jurista, mas a simples leitura de um rabula, como me considero, me leva a interpretar a clara e, por sinal, acertada decisão tomada pela presidência da FAF.

 Mas me lembro que a beleza do direito reside em apresentar diferentes interpretações a fatos que aos olhos dos leigos parecem cristalinos. Triste é pensar que também por pressões econômicas, políticas ou de interesses diversos, o mesmo direito encontra brechas absurdas para assuntos tão claros. Lamentável, mas começamos o Alagoano rasgando o regulamento e desfazendo o senso comum.

Os riscos que o CRB corre após Marcos Barbosa

 |  segunda, 04 janeiro 2016 00:00

 

 

Não tenho dados concretos para afirmar categoricamente que Marcos Barbosa é o maior presidente da história do CRB. Cada um, em sua época passou dificuldades e fez muito pelo clube. No entanto, não há dúvidas que Barbosa escreveu seu nome entre os mais destacados que já dirigiram o clube, seja pelos resultados em campo, seja pelas conquistas fora dele.

 

Tudo passa e um dia, Marcos Barbosa deixará o CRB. O presidente regatiano tem uma conduta personalista, ele decide, ele resolve, ele conquista, ele se empenha, ele vence, ele perde. A forma de administrar do atual mandatário já foi vista em outras personalidades e mesmo sem querer, esta maneira "afasta" outros nomes que poderiam auxiliar na administração - ou, aparecerem na administração.

 

Como tudo na vida, as ações de Marcos Barbosa possuem aspectos positivos e negativos. Desde o primeiro dia que Marcos Barbosa assumiu o CRB, desconfiei de sua dedicação ao clube. Imaginei mais um político de carreira em um clube alagoano, projetando-se com ações e atitudes populistas e com um "testa de ferro” para tocar o dia a dia. Em parte, estava errado.

 

Barbosa é de assumir responsabilidades, viver dentro do clube (até mesmo de maneira exagerada), estar a par de absolutamente tudo que acontece e de que cerceia a equipe.

 

No futebol, vacilou apenas no 1º ano quando o CRB lutou contra o rebaixamento no alagoano e precisou trazer um jogo contra o Ipanema do sertão para Maceió. Ali, conseguiu sua permanência. Também bobeou em 2012, ao não desfazer o grupo de atletas, atitude que foi decisiva no rebaixamento clube da Série B para a Série C. Tirando isso, em termos de resultados, foram mais acertos que erros: títulos estaduais, acessos no cenário nacional e um respeito reconquistado após o CRB amargar dez anos de humilhações.

 

Mas como já havia dito, tudo passa. É possível que no final deste ano, Barbosa deixe o comando do CRB. Ele terá dois caminhos a seguir: o primeiro é continuar “mandando”, utilizando um presidente figurativo; o segundo é de se desligar um pouco e deixar que outro nome possa substituí-lo.

 

Na segunda hipótese, reside o grande risco de o CRB entrar em parafuso. Com tudo que Barbosa construiu, o próximo presidente sofrerá comparações e terá a "obrigação" de sequenciar as realizações feitas na atual gestão. Esse é o grande problema de administrações personalistas, uma vez que não estruturam os clubes, apenas fazem-no ter estrutura enquanto estas estão no comando.

 

Qual outro presidente viabilizará a manutenção do CT ou um time com uma folha tão alta quanto o CRB teve no ano passado? Ou ainda a força de viabilizar situações que Barbosa consegue pela sua força política ou pelo seu empenho pessoal?

 

Arrisco-me – e é somente uma visão minha – dizer que, sem Barbosa, o CRB terá tantas dificuldades quanto seus principais adversários estaduais: CSA e ASA. O presidente do CRB banca, viabiliza, encontra alternativas, empenha sua palavra, dirige o CRB como nada visto anteriormente, mas estruturalmente falando, o CRB não cresceu, não se sustentou e não possui vida independente como muitos pensam.

 

 

É apenas uma observação, talvez até antecipada, mas prevejo imensas dificuldades na situação de o CRB ficar sem Barbosa, correndo risco de novamente entrar em parafuso, da mesma maneira como o atual presidente encontrou o clube há cinco anos.

Entre valorizar e utilizar, a diferença foi de quase R$ 10 milhões

 |  sexta, 01 janeiro 2016 00:00

O ano de 2015 já se foi. A Série B também. Dois jovens jogadores que atuaram na terceira mais importante competição do país foram valorizados e no final da temporada acabaram negociados.

 

Maxwell e Richarlison tiveram trajetórias parecidas em 2016. Jovens, Maxwell (CRB) tem 20 anos, já Richarlison (América-MG) é mais novo e tem 18 anos. Autor de cinco gols pelo Galo, Maxsuel foi negociado por R$ 200 mil. Richarlison fez nove gols da Segundona e foi negociado por R$ 10 milhões, saindo do Coelho mineiro e indo para o Fluminense.

 

Claro que existem algumas semelhanças e diferenças gritantes entre os dois. Eles foram boas revelações, fizeram gols e foram negociados. A partir deste ponto, surge um abismo gigantesco. É difícil avaliar se são jogadores semelhantes, se um é melhor que o outro. A realidade é que Richarlison joga em uma equipe de um centro mais forte, em uma equipe mais tradicional e com mais peso nacionalmente. Também pode-se afirmar que o mineiro conseguiu o acesso para a Série A, fato que tem um importante peso no currículo.

 

Mas essencialmente a diferença entre os dois ficou no conceito entre valorizar e utilizar o jogador. O América bancou a permanência do jogador na competição. Ele tornou-se titular e fez 21 jogos na titularidade dos 38 disputados pelo coelho. Maxwell foi utilizado e não valorizado.

 

Valorizar significa dar sequencia, botar para jogar e ao se perceber que o jogador tem qualidade ter a clara estratégia que no time, seria Maxsuel e mais dez. Entendo que apostar no garoto talvez fosse uma carga grande, respeito o fato que Mazola Júnior explicou a utilização do jogador e sabe como poucos “subir” jovens promessas para o time profissional, mas Richarlison também não conhecia a Série B, também precisou colocar jogador no banco e tudo mais.

 

A verdade é que a direção, grande parte da torcida e até muita gente da imprensa, pensa no resultado, em um time mais forte e, portanto, preferem jogadores mais “rodados”.

 

 

No entanto, os atacantes que passaram pelo CRB, me refiro a Ricardinho, Kanu e Isac nada deixaram para o CRB. Até mesmo Zé Carlos, que foi artilheiro da Série B, deixou o CRB sem que o clube tivesse direito a nada. Maxsuel não. Esse é do CRB. Esse poderia ter dado ainda mais, mas para isso precisaria ter sido valorizado. A diferença entre a utilização e a valorização revelou alguns milhões a mais para o América . Quem sabe se este ano, o CRB não opte por abraçar um jogador e fazer dele um cheque em branco ao final da temporada.

A voz de classe se calou

 |  sábado, 12 dezembro 2015 00:00

Waldemir Rodrigues, 65, o comentarista de classe, faleceu hoje pela manhã. Com comentários clássicos, duros, precisos, que manipulavam os números com uma facilidade monstruosa, que utilizava um humor, muitas vezes, ácido com a leveza de uma palavra doce, não será mais ouvida.

 

A morte precoce de Waldemir me tira a presença do profissional de comunicação mais completo que já convivi. Em um momento deste de comoção do mundo esportivo, da imprensa alagoana e da sociedade alagoana, não é um pouco egoísta dizer que " a morte me tira"? É sim, entendo que é egoísta da minha parte, mas minha relação  com Waldemir era muito mais que uma relação profissional. Considerava-o como um pai e tenho certeza que ele também me considerava um filho, pois não teve filhos homens. A fábrica produziu apenas mulheres.

 

Waldemir apostou em mim. Marginalizado no rádio, Waldemir me resgatou, me trouxe para o Timaço e com um dose grande de responsabilidade, cobrir o CRB e substituir Luciano Costa, setorista do clube e com uma imensa identificação com o torcedor do Galo.

 

Mas Waldemir já me havia dado outras oportunidades. Me colocou como fotográfo na campanha do então candidato a prefeito de Maceió, Alberto Sextafeira. Ele também me abrigou na editoria de esportes do Jornal Tribuna de Alagoas. Me deu espaço para publicar fotos que fazia de esporte olímpicos nas páginas de um jornal que ele assinava. Foi ele que por telefone me comunicou a morte do meu pai. Foi ele um do.s meus padrinhos da casamento. Lutou dentro da empresa para que pessoas como eu, com formação de radialismo e jornalismo, tivesse oportunidade em outros setores da OAM. Deu oportunidade e me incentivava a comentar futebol, a fazer comentários na resenha nas suas ausências, que se tornaram mais frequentes nos últimos meses. São tantas coisas que não terei como agradecer.

 

Waldemir era uma voz dura e firme quando "mexiam" comigo. Assim foi no episódio em que fui proibido de falar com os jogadores do CRB em 2014. Waldemir tinha uma voz doce e elogiosa, a cada final de trabalho, quando faziamos "tudo direitinho" e recebi elogios sobre os comentários que faiza  a cada jogo do CRB fora de Maceió e que não havia transmissão de TV. Waldemir tinha a voz áspera e destruidora quando cobrava um erro, uma irresponsabilidade, um atraso, como aconteceu comigo algumas vezes.

 

Trouxe individualidades na minha relação com ele e pode até parecer egoísta da minha parte, mas foi assim com cada um que ele coordenou, orientou, dirigiu e  ensinou. Era um homem prático, "sim é  sim" e, "não é não", até frio para alguns, mas aqueles que observaram o seu carinho com a familia, notadamente com esposa, filhas e netos, sabiam que era um homem doce, justo e acima de tudo sereno, firme, mas sereno.

 

Ficará seus ensinamentos, seu legado e tudo que foi ensinado, modificado e acrescido na minha vida e na de tantos outros que puderam desfrutar da sua companhia.

 

Fica em paz. Vai com Deus, meu chefe, fofo e lindo.