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  • sábado, 22 julho 2017 00:00
Rei Pelé chegou a ter capacidade de 45 mil pessoas; Hoje estádio recebe 17 mil Rei Pelé chegou a ter capacidade de 45 mil pessoas; Hoje estádio recebe 17 mil Ailton Cruz - Gazeta de Alagoas (montagem)

Rei Pelé: o GIGANTE encolheu? Entenda como o Trapichão diminuiu sua capacidade

 

 

 

O maior palco esportivo de Alagoas parece ter encolhido. Em 1972, quando foi inaugurado, o Estádio Rei Pelé surgiu com a capacidade de 45 mil pessoas. Na época, Maceió tinha uma população de pouco mais de 263 mil habitantes. Passados 45 anos, o Trapichão – apelido dado ao estádio –, o mesmo palco tem capacidade para 17.126 torcedores e Maceió já possui pouco mais de 1 milhão de habitantes.

A absurda redução da capacidade do maior templo esportivo de Alagoas até segue uma tendência mundial. O Maracanã, por exemplo, inaugurado em 1950, tinha capacidade para 200 mil pessoas, sendo considerado, o maior estádio do mundo. Após sucessivas reformas, a primeira delas em 1999, a capacidade foi reduzida para 103.022 torcedores e nos preparativos para a Copa do Mundo houve uma nova redução para 78 mil lugares.

Na última semana, antecedendo à partida entre CRB e Internacional, o secretário executivo de Esporte, Lazer e Juventude, Charles Hebert, revelou que a capacidade atual é de 14.626 torcedores.

Este ano, CSA, CRB e a Federação Alagoana de Futebol (FAF) articularam em conjunto um pedido junto ao Governo do Estado para retirar as cadeiras que foram instaladas nas grandes arquibancadas. A atitude serviria para aumentar a capacidade do estádio para pelo menos 20 mil lugares.

No entanto, Charles Hebert afirmou que ainda não foi feita uma nova aferição da capacidade do estádio. “Após a retirada das cadeiras, não foi feita uma nova avaliação por parte do Corpo de Bombeiros. Ainda estamos em reforma e o trabalho da instalação do projeto contra incêndio e pânico não foi concluído”, disse Hebert.

O encerramento das obras visando ao implemento por completo do projeto contra incêndio e pânico somente acontecerá no fim de agosto para início de setembro. “Não sabemos quantos lugares serão ampliados”, afirmou Charles Hebert.

A Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude (SELAJ) revelou que no ano passado, o Flamengo viria jogar uma partida pela Série A do Campeonato Brasileiro no Rei Pelé, mas a ideia foi abortada em virtude de baixa capacidade do estádio.

Com apenas cerca de 15 mil lugares, o Rei Pelé fica fora do circuito de grandes jogos, pois capacidade diminuta eleva o preço dos ingressos. A pouca capacidade atual do Rei Pelé também preocupa os que veem em breve, Alagoas na Série A do Campeonato Brasileiro.

Mas esta informação não traz preocupação para caso de um futuro acesso do CRB para a Série A, por exemplo. O regulamento especifico da Série A estabelece em seu Artigo 20 que a capacidade mínima é de 12 mil pessoas. Portanto, mesmo considerando a capacidade atual, o Rei Pelé estaria apto para a realização de qualquer partida de uma futura Série A.

NOSSO TAMANHO

Ainda quando se fala sobre a questão de capacidade de público ou até de uma necessidade de ampliação da capacidade do Trapichão, os números mostram que o estádio tem a capacidade correspondente ao tamanho do nosso futebol.

Uma confirmação disso poderá ser dada pelos números vistos no ano passado. A temporada de 2016 foi especial para o futebol alagoano. O CRB brigou por acesso para a Série A em boa parte da disputa da Série B. Já o CSA conseguiu o sonhado acesso à Série C e chegou à final da Série D. Neste cenário, o CSA teve média de 8.945 torcedores por jogo. Já a média do CRB na Série B foi de apenas 5.813.

Este ano já foram realizados mais de 60 jogos no Rei Pelé e, em apenas dois, o estádio apresentou a capacidade praticamente toda ocupada. O maior público foi na decisão do Alagoano CSA 2x3 CRB, com 17.786 torcedores (com 16.323 pagantes) e CRB x Internacional apresentou público de 15.636 torcedores (com 13.151 pagantes).

Este ano, o CSA tem média de 6.817 por jogo e uma ocupação da capacidade do Rei Pelé de 40%. Já o CRB na Série B tem média de 4.525 por jogo com 26% de ocupação do Trapichão. Os números mostram que o Rei Pelé acaba tendo seu espaço sub-utilizado. Estes mesmos números também derrubam argumentos de torcedores e/ou de dirigentes que veem a necessidade de aumentar a capacidade do Rei Pelé.

Felipe Feijó, presidente da FAF, é taxativo sobre o assunto. “Quinze mil nos atende. É preciso melhorar o Rei Pelé, mas a capacidade de hoje atende o nosso futebol” disse o mandatário da FAF.

O próprio Charles Hebert também concorda com esta situação. “Quantos jogos já tivemos este ano? Quantas partidas nos lotamos o Rei Pelé? A capacidade atual está dentro do nosso tamanho”, diz o secretário executivo de Esporte, Lazer e Juventude.

O pesquisador Lauthenay Perdigão também entende que a capacidade do Rei Pelé é paralela ao nosso futebol e mostra uma outra visão sobre a diminuição do público ou sobre a pequena ocupação do estádio. “Na década de 1970 e 1980 ia muito mais gente, mas a ausência de jogadores de qualidade, a violência e os jogos na televisão diminuíram a presença do torcedor”, disse Lauthenay.

Com os números de que o Rei Pelé não tem sequer 40% de sua capacidade ocupada, a visão de reforma com ampliação é completamente descartada. Quando era governador, Ronaldo Lessa, em uma visita ao estádio, após a reforma de 1992, chegou a dizer que cometeram um ‘crime’ com o Trapichão. A anitga geral foi ‘engolida’ pela reforma. Quando inaugurada, a geral recebia – somente ela – 21.946 torcedores. “Minha expectativa para uma reforma que aumente a capacidade é zero”, diz, com convicção, o presidente da FAF, Felipe Feijó.

Charles Hebert indica que o caminho do Rei Pelé hoje é pelo conforto.  A administração do estádio busca conseguir o laudo completo, denominado AVCB. Ele também alerta que os próximos passos serão dirigidos ao conforto da torcida. “Vamos melhorar o conforto do torcedor, melhorar banheiros e camarotes. Se compararmos o Rei Pelé com outros estádios da sua idade, o nosso Trapichão está bem melhor”, diz Hebert.

Ele ainda revela que o Rei Pelé tem padrão Fifa – nota 5 – em relação a gramado e vestiários. O Sistema Brasileiro de Classificação de Estádios (SISBRACE) dá duas bolas com classificação para o Rei Pelé, onde a avaliação máxima é de cinco bolas. 

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