AINDA NÃO

  • quarta, 27 maio 2020 00:00
Alexandre Ayres defende que ainda não é hora para o retorno do futebol em Alagoas Alexandre Ayres defende que ainda não é hora para o retorno do futebol em Alagoas Agência Alagoas

Secretário de Saúde diz ser  ‘ prematuro e desaconselhável' o retorno do futebol em AL

 Por Alberto Oliveira

 

“Entendemos ainda ser prematuro e desaconselhável o retorno das atividades ligadas ao futebol, notadamente treinos e jogos. Isso continua suspenso em Alagoas.” A contundente fala é do Secretário de Saúde, Alexandre Ayres sobre o retorno do futebol no Estado de Alagoas.

A fala está alicerçada em um momento de contundente luta contra a pandemia da COVID-19. Os últimos números divulgados na terça-feira,26, indicam que o Estado apresentava 352 mortes confirmadas e 7.058 casos. Mas a fala de Alexandre Ayres também mostra que a ideia é calçada na precaução e atende o momento.

Em resposta a questionamentos da reportagem do site esportealagoano, a Secretaria de Estado da Saúde  (SESAU) informou que recebeu a documentação da Federação Alagoana de Futebol, a nota diz que é ‘um material com muitas informações e detalhes relevantes a serem discutidos’ e que no momento, ‘as propostas da FAF passam por uma avaliação dos setores técnicos da Secretaria’.

Conectado a isto, o secretário de Saúde, Alexandre Ayres reforçou ainda que ‘é um tema importante. Estamos estudando o que nos foi entregue pela Federação. Ainda não temos uma posição definitiva sobre as propostas’, disse Alexandre Ayres.

No final de semana espera-se um novo decreto a ser publicado pelo Governo do Estado. Existe uma expectativa que alguns setores possam ter uma flexibilização para o retorno. O comércio é um dos setores que deve fazer parte da flexibilização.

 

FORA DA ONDA

Felipe Feijó segue acreditando na retomada do Alagoano - Foto: Vivi Leão - GloboEsporte-AL

 

O posicionamento da SESAU mostra que Alagoas está fora da onda de pressão que assola alguns estados pelo retorno imediato do futebol. O Rio de Janeiro é o principal exemplo e o Pará – outro estado ainda com números relevantes – realizou ontem à noite um reunião sobre retorno.

Até pelo posicionamento claro da SESAU, em Alagoas o assunto não tem a dimensão que ganhou no Rio de Janeiro, por exemplo. Mas mesmo com uma suposta calmaria, a Federação Alagoana de Futebol mudou a estratégia, mas continua firme no propósito de encerrar o Alagoano 2020 em campo.

Após atitudes intempestivas, como a antecipação de jogos no mesmo dia em que a CBF determinou a suspensão das atividades das competições promovidas por ela e uma desastrosa ação da marketing que provocou uma fake news, divulgando um roubo – da taça do campeonato alagoano – que não existiu, a FAF mudou a estratégia e passou a ser mais contundente nas palavras ‘segurança’, ‘preservar vidas’ e estar conectado com as autoridades sanitárias e de saúde do Estado de Alagoas.

Em meio a mudança de atitude, a FAF não ficou apenas no discurso, ela também agiu. Em parceria com a Secretaria Estadual de Esporte, Lazer e Juventude (SELAJ), a entidade máxima do futebol alagoano fez uma importante ação social, abraçando ambulantes que trabalham com o futebol no Estádio Rei Pelé. Foram doadas cestas basicas, que inclusive continham o ‘reforço’ de material de limpeza.

Além desta ação, a FAF também deu o passo mais concreto em busca do retorno do futebol em Alagoas: a elaboração de um protocolo de retorno do futebol alagoano. Em pouco mais de uma semana, a FAF formou um grupo multidisciplinar, composto por médicos, profissionais de educação física e nutricionista, além de todo o staff da própria entidade e confeccionou o protocolo. O documento é composto por 15 páginas e traz diretrizes e recomendações para o retorno do do esporte em campos alagoanos.

Esta documentação foi entregue a Secretaria Estadual de Saúde (SESAU) no dia 4 de maio, conforme protocolo de recebimento da própria FAF. Mas até hoje não houve resposta.

A ausência de resposta não é uma descortesia por parte da SESAU, mas mostra que o grau de importância que o futebol tem em meio a pandemia da COVID-19, ainda é menor até mesmo que outros setores.

Em recente entrevista, Felipe Feijó foi claro ao se posicionar que a entidade segue trabalhando para encerrar o estadual em campo, ‘assim que as autoridades sanitárias liberarem a retomada das atividades’, frisou Felipe Feijó.

ELES NÃO QUEREM

Celso Marcos, presidente do ASA, é contra o retorno do estadual - Foto: Leonardo Freire - GE-AL

 

Em meio as discussões sobre o retorno do futebol em Alagoas, um assunto ganhou destaque desde o momento inicial de suspensão dos jogos no dia 16 de março: a fragilidade financeira da maioria das equipes alagoanas integrantes da 1ª Divisão.

Sem dinheiro, sem estrutura e sem apoio financeiro, os clubes começaram a ruir a dita ‘resistência’ pelos estaduais. Antes de completar o período inicial de 15 dias de suspensão das atividades, o ASA acusou a pancada e suspendeu os contratos de jogadores e membros da comissão técnica.

A atitude alvinegra surgiu em menos de quinze dias e hoje os clubes já ultrapassaram os 60 dias de suspensão de atividades. Praticamente todos os elencos tinham contratos com jogadores somente até o mês de abril. É preciso lembrar que a final do Alagoano estava agendada para 26 de abril e que apenas quatro dos oito clubes da 1ª Divisão possuem calendário mais extenso. CSA e CRB disputarão a Série B, Coruripe e Jaciobá jogarão a Série D.

Neste cenário não faz sentido que ASA, CSE, CEO e Murici tenham contratos mais longos com os seus jogadores. Com isso, naturalmente, houve uma liberação do vínculo de praticamente todos os elencos para a permanência nos seus clubes. Isso aconteceu por exemplo, em São Paulo, com equipes liberando jogadores e desmanchando os elencos.

Um alternativa para este problema é aprovar no Conselho Arbitral que as equipes possa contratar novos jogadores ou ainda recontratar jogadores que foram liberados, desde que, ainda estejam disponíveis no mercado.

No entanto esta alternativa esbarra na dificuldade financeira que estas equipes enfrentam. É claro que quanto mais tempo a paralização se estender, mas dificuldades os clubes terão para retornar. Além disto, o protocolo de retomada do futebol em Alagoas prevê a implementação de uma série de medidas que dificilmente poderão ser implementadas pelos clubes menores, como testes frequentes para as equipes envolvendo elenco e comissão técnica, higienização rotineira de ambientes no padrão exigido pelo documento e até mesmo isolamento de jogadores em locais adequados para moradia e concentração.

Por este série de fatores, dirigentes da maioria dos clubes tem sinalizado, até mesmo para FAF, ser inviável o retorno das atividades e do campeonato. Esta é a visão da maioria, mas a FAF tem tentado manter a ‘resistência’ dos clubes ao tema. Mesmo com esta tentativa da FAF não é posta – ao menos publicamente – de onde virá a ajuda financeira para que os clubes realizem as diretrizes do protocolo, recontratem – e paguem – jogadores e comissão técnica – e tenham a condição de retomar a vida normal por pelo menos um mês.

Sem ter dados efetivos dos custos das equipes, se tem por base, que alguns times possam ter um custo mensal de pelo menos R$ 60 mil, acrescente-se a isto, pelo menos mais R$ 20 mil para implementação de todas as medidas do protocolo de retorno, o custo seria algo em torno de R$ 80 mil, para pelo menos cinco equipes. O ASA tem uma realidade diferente e fala-se em uma folha mensal em torno de R$ 200 mil. CSA e CRB atingem ou estão perto de R$ 1 milhão, mas estariam longe desta dificuldade.

As respostas para levantar recursos para o retorno do futebol ainda não tem conexão com a realidade e por isso, clubes seguem – literalmente – agonizando e sufocados não pelo vírus, mas pelo ausência de recursos para se manterem vivos na espera pelo retorno.

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