VAI ENCARAR?

  • sábado, 06 janeiro 2018 00:00
A bela Bárbara Acioly tem aparência de 'patricinha' mas em cima do octógono é destruidora A bela Bárbara Acioly tem aparência de 'patricinha' mas em cima do octógono é destruidora Ailton Cruz - Gazeta de Alagoas

Especial lutadora Bárbara Acioly: bela, recatada e do ...MMA

 

 

 

Bárbara Acioly no estilo 'top model' - Foto: Ailton Cruz

 

Ao ver Bárbara Acioli, 24 anos, dentro de um vestidinho preto, com salto, cabelo solto e um olhar fatal, a ideia inicial é 'esta gata é modelo'. A carrinha angelical, o sorriso fácil, o astral positivo enganam muito.

Ela é atleta profissional e mais do que é isso é lutadora profissional de MMA. Os desinformados levam um susto. No começo da carreira, em uma das primeiras lutas do muay-thai, um dos organizadores perguntou: vocês tem certeza que vão colocar esta 'patricinha' pra lutar? Ela vai levar um pau lá em cima!

Bárbara 'patricinha' subiu no rinque e detonou a adversária. Recentemente em uma luta em Miami a mesma reação. Quando ela surgiu para pesagem em um hotel de luxo, os americanos riram. Os olhares mostravam uma menina magra, frágil, pelo desgastante processo de perda de peso antes das lutas, parecendo uma modelo. Ouviu-se de alguns que a americana Trisha Cicero irá massacrar a alagoana. Também não foi isso que aconteceu.  Bárbara venceu e teve a luta considerada como a 'luta feminina' do ano nos Estados Unidos.

A construção desta imagem mostra como Bárbara supera expectativas. Determinada desde de criança ela envolveu-se no esporte. A primeira passagem foi pelo karatê, acompanhando o irmão, uma de suas referências. Depois a mudança para o judô não trouxe o entusiasmo, 'hoje percebo a falta que faz o período que não me adaptei ou que não gostei do judô quando criança', avalia Bárbara. Mas a vida esportiva seguiu e por caminhos inimagináveis. Ela usou a natação e a ginástica rítmica, isto mesmo, com direito a coreografias com bolas, fitas e maças ."Era divertido para uma criança, tinha uma fitas, coloridas, adora aquilo, aquele movimento, a brincadeira', disse a lutadora.

Já treinando boxe tailandês, ou simplesmente, o muay-thai, que Bárbara descobriu o MMA. Na época, o Coliseu, organização genuinamente alagoana, era um destaque, o UFC começava a arregimentar fãs e ela colocou na cabeça 'erra isso'. E foi.

Bárbara havia decidido a mudança. As lutas começaram a acontecer, os resultados surgiram, a família apoiava e o caminho do profissionalismo ficou mais próximo. Novamente a determinação da lutadora alagoana falou mais alto. Mesmo assim, as primeiras dificuldades serviram de aprendizado. Em Delmiro Gouveia, local do seu primeiro combate profissional, Bárbara dividiu um espaço com o seu treinador Arthur Santiago. "O banheiro era dividido por uma cortina. Para ela usar o banheiro, eu tinha que sair e vice-versa.  Cheguei a dizer para ela que iriamos passar por aquilo para lutar nos melhores lugares do mundo'. revela Arthur Santiago.

É verdade que o esporte, a disciplina, a superação, abrir mão de um monte de 'tentações' da vida, resgataram Bárbara de uma 'vida louca'. "É gratificante como educador físico ver a importância na formação dela. Ela melhorou como pessoa, melhorou com amigos, familiares e se transformou. Méritos dela. Você vê um 'mulherão' deste, abrir mão das coisas da vida, noite, curtir e tudo mais e está conseguindo dar estes passos já é uma grande vitória. Mas nós queremos muito mais", diz Arthur.

Bárbara Acioly treina muito forte: desafio no Japão em fevereiro - Foto: Ailton Cruz

 

Tudo foi muito rápido. Após alguma lutas profissionais, a guerreira alagoana já estava no exterior, lutando e amassando adversárias. Mas a vida ainda reservava um novo grande salto. Em meio a uma camping nos Estados Unidos, ela recebeu uma informação que mexeu com sua cabeça: um contrato para ser assinado com a organização Invicta, uma das maiores do mundo do MMA. A confidencialidade foi um sofrimento a parte. "Eu queria dizer para todo mundo, mas não podia. Eles é que tinham que anunciar. Falei para os meus pais, para meu irmão, para alguns técnicos e parecia não acreditar", disse.

Como tudo na vida, o aprendizado custa caro. Em sua estreia na organização, Bárbara sofreu sua primeira derrota. A ferida não cicatrizou. Meses depois na entrevista feita, ao falar sobre o assunto, Bárbara entrecortou a voz, os olhos encheram de lágrimas e ela chorou. Mas como outros momentos da vida, a pancada lhe deixou mais forte. Em questão de segundos, ela já havia mudado a expressão. Não havia mais lagrimas nos olhos. Surgiu um brilho e as palavras surgiram duras, mas com a raiva, a gana, a pegada de uma guerreira. "Fiquei mais forte. Precisei perder para mudar, ver que preciso me dedicar ainda mais. Agora é que quero mesmo vencer. Estou mais forte' disse a menina guerreira.

Menina porque Bárbara curte tudo que garotas da sua idade curtem. "Adoro praia. Sou louca por praia. Amo meu cachorro, sou família, gosto de ficar com minha família.  Assisto muitas séries, filmes", revela Bárbara.

A preparação para o novo desafio já começou. Recentemente foi confirmada uma luta no Japão, do dia 4 de fevereiro contra a experiente Takayo Hashi pelo Pancrese 293. Esta será a sexta luta como profissional de Bárbara Acioly. "Já comecei a preparação.  Primeiro estou preparando minha cabeça, lutar em um lugar ainda mais distante, enfrentar o frio e um evento da grandeza do Pancrese são desafios. Vou seguir treinando em Maceió e em janeiro irei para os Estados Unidos para fazer a parte final do treinamento', revela.

Aonde Bárbara poderá chegar? A pergunta não é fácil de ser respondida. Neste caminho, por exemplo, ela já negou um convite do UFC, isso mesmo, negou lutar pelo UFC, a organização de mais visibilidade do MMA mundial. "Para chegar no UFC tem que ser para valer. Meu coração doeu ao dizer não, mas a razão dizia que ainda não era hora de aceitar", diz Bárbara.

Ela foi convidada a integrar um card onde iria lutar em pouco mais de 15 dias. Além de pouco tempo de preparação, ainda teria a condição de peso, viagem e tudo mais. Bárbara espera que contradizendo o ditado que 'cavalo selado só passa uma vez', a oportunidade volte a aparecer e neste momento, a 'patricinha' ou o 'mulherão' lá do começo da carreira possa abraçar com unhas e dentes a oportunidade de realizar seu grande sonho no MMA.

Alguém dúvida deste mulherão de 1m72, sorriso de menina e golpes destruidores? Se você dúvida...e aí, vai encarar?

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